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Até que não é dificil….(risos)

27 27UTC janeiro 27UTC 2010

Para se roubar um coração, é preciso que seja com muita habilidade, tem que ser vagarosamente, disfarçadamente, não se chega com ímpeto,
não se alcança o coração de alguém com pressa.
Tem que se aproximar com meias palavras, suavemente, apoderar-se dele aos poucos, com cuidado.
Não se pode deixar que percebam que ele será roubado, na verdade, teremos que furtá-lo, docemente.
Conquistar um coração de verdade dá trabalho,
requer paciência, é como se fosse tecer uma colcha de retalhos, aplicar uma renda em um vestido, tratar de um jardim, cuidar de uma criança.
É necessário que seja com destreza, com vontade, com encanto, carinho e sinceridade.
Para se conquistar um coração definitivamente
tem que ter garra e esperteza, mas não falo dessa esperteza que todos conhecem, falo da esperteza de sentimentos, daquela que existe guardada na alma em todos os momentos.
Quando se deseja realmente conquistar um coração, é preciso que antes já tenhamos conseguido conquistar o nosso, é preciso que ele já tenha sido explorado nos mínimos detalhes,
que já se tenha conseguido conhecer cada cantinho, entender cada espaço preenchido e aceitar cada espaço vago.
…e então, quando finalmente esse coração for conquistado, quando tivermos nos apoderado dele,
vai existir uma parte de alguém que seguirá conosco.
Uma metade de alguém que será guiada por nós
e o nosso coração passará a bater por conta desse outro coração.
Eles sofrerão altos e baixos sim, mas com certeza haverá instantes, milhares de instantes de alegria.
Baterá descompassado muitas vezes e sabe por que?
Faltará a metade dele que ainda não está junto de nós.
Até que um dia, cansado de estar dividido ao meio, esse coração chamará a sua outra parte e alguém por vontade própria, sem que precisemos roubá-la ou furtá-la nos entregará a metade que faltava.
… e é assim que se rouba um coração, fácil não?
Pois é, nós só precisaremos roubar uma metade,
a outra virá na nossa mão e ficará detectado um roubo então!
E é só por isso que encontramos tantas pessoas pela vida a fora que dizem que nunca mais conseguiram amar alguém… é simples…
é porque elas não possuem mais coração, eles foram roubados, arrancados do seu peito, e somente com um grande amor ela terá um novo coração, afinal de contas, corações são para serem divididos, e com certeza esse grande amor repartirá o dele com você.

Luís Fernando Veríssimo

Adorei esse texto

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Curioso Encontrar…

26 26UTC janeiro 26UTC 2010

Não sei fazer poesia, aliás, e uma arte que eu pouco pratico me entanto ao ler, mas pouco eu leio…adoro ficar por aqui passeando em meio ao mundo das idéias e dos pensamentos das mentes encantadas, mas também me pego na ânsia da falta, falta dessa sensibilidade pra escrever e descrever em alguns versos um sentimento que se manifesta…tentar descrever o incognoscível mesmo que a palavra falte. Mas, o bom da poesia não é explicar nem fazer ninguém entender o que nós estamos sentindo, mas fazer com que o leitor  sinta na sua própria alma uma pitada disso. Já que não é possível descrever, faz-se sentir em meio aos versos o cheiro da sensação (gostei disso).

Engraçado é ver com base em comentários de blog alguém por traz, alguém que sente, e ao procurar descobrir a origem das coisas, a origem daquelas palavras poder ver na essência, ou poder matar a sede da curiosidade direto ta fonte…poder contar com alguém que escute e que também diga…poder perder o sono e o interesse no mundo a volta e deixar se envolver diretamente ali, sem nem pestanejar, vendo filme, vendo tv, em meio a goles numa xícara de café…mas tudo isso, sem pestanejar a atenção ali (consegue conceber?), estranho mas aconteceu…sem déficit de atenção nenhum pude passar uma noite e até parte da madrugada, ali, feliz, não sei porque, a cada pergunta e a cada resposta um aumento da vontade (thelema) de continuar ai e não sair mais…em meio a diversas brincadeiras, acho que ninguém acreditaria…e VOCÊ, não acreditou em meio a tantas risadinhas…tantos medos,  tantas vontades de largar  todos eles, vontade de se esconder, vontade de se mostrar…nossa!! Quanta pergunta, quanta curiosidade você me deixou…tantas dúvidas…

Mas eu hei de descobrir…

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Uma Mente Clara Kuan-hsin-ming

19 19UTC janeiro 19UTC 2010

por Han-shan Te-ch’ing (1546-1623)

A verdadeira natureza é pura e profunda
Como a água clara e calma.
Se batida com o ódio ou o amor,
Surgem ondas de irritação.
Surgindo sem cessar,
A própria natureza torna-se turva.
Irritação e ignorância
Sempre aumentam inconscientemente.

O “eu” agarrando um “outro”
É como a lama entrando na água.
O “eu” movido por um “outro”
É como jogar gordura no fogo.
Enquanto o reino externo for o caos, o “eu” será verdadeiro.
Enquanto o caos for tomado por real, o “eu” nascerá.
Se o “eu” não nascer,
As irritações, queimando por éons, transformam-se em gelo.

Assim, os perfeitos
Primeiro esvaziam a mácula do “eu”.
Quando a mácula do “eu” for esvaziada,
Como o reino externo poderia ser uma obstrução?
A capacidade de se recuperar é a função
Do “eu” esquecido.
Assim que idiossincrasias aparecerem,
Você as reconhecerá imediatamente.

O objetivo do reconhecimento é a iluminação.
No instante em que um pensamento retornar ao brilho,
Todos os rastros serão limpados.
Esse momento é refrescante.
Refrescante, brilhante,
Inigualável, independente,
Tranqüilo, harmonioso,
Nada pode igualá-lo.

(Adaptado de Sheng-yen, The poetry of enlightenment: Poems by ancient
Ch’an masters. Elmhurst: Dharma Drum Publications, 1987. Pág. 99-100.)

Analisem bem que esta é uma sabedoria do Século XVI/XVII